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abril 18, 2010

É o que nos interessa!



Sempre tive uma visão muito romântica"zinha" dessa música mas ouvindo o Pr. Ricardo Agreste nesta mensagem: O Início do Fim passei a ve-la de uma maneira completamente diferente e muito mais consciente, vale muito a pena ouvir a mensagem e se fazer a pergunta:

"...Quem vai virar o jogo
e transformar a perda
Em nossa recompensa(?)..."

fevereiro 16, 2010

Gran Torino


Ainda não conhecia os filmes do Clint Eastwood. Já vi alguns em que ele atuou, mas filmes em que ele atuou e dirigiu ainda não tinha tido o prazer e digo: vale a pena.

No caso de Gran Torino vemos um filme cheio de humanidade, fragilidade e pecado no contexto.

Ouvi em algum lugar que a história dele é dessas "seca, que desce rasgando na garganta." e é!

É um filme que não está no lugar comum não tem clichês dos filmes americanos em que tudo é resolvido com um passe de magica é um filme surpreendente que percorre todos os caminhos necessários para a transformação de um ser humano cheio de falhas e atitudes equivocadas.
É um filme que vai ficando tocante, amoroso, singelo mesmo se tratando da figura séria e sisuda do ator...

Clint interpreta um velho rabugento racista que perde a esposa, e de uma maneira muito sutil resolve atender os últimos pedidos de sua esposa, e isto dá pra perceber nas ótimas expressões do ator, e fica bem nítido em como é difícil para esse personagem mudar, tanto que em alguns momentos em que é contrariado ele chega a "rosnar" feito um cão bravo, coisa que sua doce cadela não faz... rsrsrs

Depois de algum tempo após o falecimento de sua esposa ele se sentindo sozinho começa a prestar atenção à sua odiada vizinhança de imigrantes.
O caráter de ex-soldado americano patriota vai se transformando quando ele começa a prestar a atenção e ver que seus vizinhos precisam de ajuda e ele comovido mas ainda contrariado passa a ajudar essas pessoas.

Como já disse de modo sutil o velho rabugento vai se transformando em um senhor amoroso e atencioso com as necessidades dos outros.

Superando seus pré-conceitos e doando-se completamente ao outro. Ele que traz consigo marcas de um passado na guerra do qual não se orgulha, começa a perceber que pode de alguma maneira ser perdoado... Em uma das cenas ele observa que tem mais a ver com os vizinhos imigrantes do que com sua própria família com quem não se entende.

É uma reflexão de como podemos ser ajudados quando damos a oportunidade de pessoas de quem não esperamos nada e que podem nos ajudar de maneira surpreendente, e mesmo que a principio tenhamos a impressão de que o velho rabugento é o super herói da historia ao desenrolar da história concluímos que o que acontece é o inverso...

Um filme necessário para quem ama as relações humanas, um filme que diz mais uma vez que somos todos irmãos independente de nossa cor, raça, ou religião...

Eu recomendo muito!!!

Vanessa Padilha

dezembro 19, 2009

Tempo


O anseio do mistério sem nome

Ter o eterno e sentir sua ausência

Lança-nos ao dissabor da falência

Paradoxo brutal que a fé consome

O que nos prende a tal absurda fome?

A distorção da natural essência do tempo vítima

Sem existência, serve ao desejo sem ter quem o dome

Mas a graça única do cordeiro que a altivez humana

Ao pó reduz, uniu-nos com tempo verdadeiro

Pois antes mesmo da formação da luz

À salvar do destino derradeiro

Fez-se o brado: Haja cruz! E houve cruz.

(Felipe Valente)


PS: To ouvindo o disco do Felipe Valente e estou encantada... recomendo, vale muito!!!

dezembro 02, 2009

Graças a Deus


...E quando a gente compreende a dádiva o presente que Deus tem dado a cada um de nós é indescritivel, a gente se torna generoso!

Ricardo Agreste

novembro 23, 2009

Sobre Jardins

A Casa do Rubem Alves é toda organizadinha, tem jardim, hall, cozinha, quartos de badulaque... e é uma delícia visita-lo...

"...Eu acho que Deus, ao criar o universo pensava numa única palavra: Jardim!..."

"...Sonho com um Jardim. Todos sonham com um jardim. Em cada corpo um paraíso que espera..."

Rubem Alves

"São muitos e milhões de jardins, e todos se falam. Os pássaros dos ventos dos céus, constantes trazem recados. Você ainda não sabe. Sempre a beira do mais belo. Este é o jardim da Evanira. Pode haver, no mesmo agora, outro, um grande jardim com meninas. Onde uma meninazinha, branquelinha, brinca de se fazer Fada... Um dia você terá saudades... Vocês, então, saberão..."

Guimarães Rosa

"Se, no teu centro
um Paraíso não puderes encontrar,
não existe chance alguma de, algum dia,
nele entrar."

Angelus Silésius

"No mistério do Sem-Fim,
Equilibra-se um planeta
E no planeta, um jardim,
e no jardim, um canteiro:
no canteiro, uma violeta
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o Sem-Fim
a asa de uma Borboleta."

Cecília Meireles


(...)Metáfora: somos a borboleta. Nosso mundo, destino, um jardim. Resumo de uma utopia. Programa para uma política. Pois política é isto: a arte da jardinagem aplicada ao mundo inteiro. Todo político deveria ser jardineiro. Ou, quem sabe, o contrário: todo jardineiro deveria ser político. Pois existe apenas um programa político digno de consideração. E ele pode ser resumido nas palavras de Bachelard: "O universo tem, para além de todas as misérias, um destino de felicidade. O homem deve reencontrar o Paraíso." (O retorno eterno, p 65)(...)


Vai lá visita a Casa do Rubem tenho certeza de que você vai ser bem recebido... Peça um café e tenha uma ótima leitura...

junho 22, 2009

Receitinha despretensiosa


Ricardo Gondim

Se quiser viver, não adie. O imponderável se intromete na vida da gente. Como patas de um gato, as unhas do destino se alongam querendo estancar o curso de nossa história. O imprevisto é peçonhento e estraga os projetos mais queridos. Antecipe-se ao imponderável e beije, abrace, converse. O agora é estrela cadente, asteróide nômade. Faça cada instante valer uma eternidade. O já não passa de uma piscadela; o hoje, de fenda entre o ainda não e o que acabou.

Se quiser viver, não tema. Arrique-se. Decidir é vulnerar-se; querer, expor-se; desejar, atirar-se à mercê do outro. Ferida de decepção dói menos que desterro de inação. Todos os amantes carregam cicatrizes. Seus estigmas, mesmo antigos, são visíveis. Atreva-se a caminhar sem blindagem. Arranque o elmo. Jogue fora o escudo. Não se enclausure. Não evite o olhar de quem lhe pede afeto. Seja terno com quem lhe espezinha.

Se quiser viver, não anseie. Sossegue. O possível, nem sempre o melhor, é matéria prima do contentamento. A alma implora por descanso. Reconheça os avisos do corpo quando avisa que as descargas hormonais desequilibram o metabolismo. Dê um passo de cada vez. Espere pelo amanhã. Desista do controle dos circuitos, solte o cabo da nau. Não corra na frente da aragem que antecipa a madrugada. Basta a cada oportunidade o seu próprio mal. Tranquilize-se.

Se quiser viver, não fuja. Enfrente-se. As nódoas da alma podem transformar-se em câncro; as culpas, em fardos; as inadequações, em aleijões existenciais. Transgressão pode deixar de ser um pecado mortal. Aprenda com os seus tropeços. Cresça com as mazelas. Reconceitue humildade como coragem de admitir limites, fragilidades, incapacidades.

Se quiser viver, não escarneça. Ouça. Tradição é a história que os antepassados selecionaram para que amadureçamos. Os enganos de outrora não precisam ser repetidos. Não quebre a cabeça com teoremas já demonstrados. Poupe o coração de injunções aparentemente inéditas que os compêndios trataram exaustivamente. Atente para os provérbios populares. Escute os avós.

Se quiser viver, medite. Mire as conchas que a maré triturou, que pavimentam a praia; o ócio do leão, feliz com a prole bem alimentada; o sol que se fatiga no lusco fusco da tarde. Devagar, procure as entrelinhas da poesia, o imarcescível da narrativa, a dignidade da biografia. Escute, de olhos fechados, os violinos, as gaitas, os trompetes, os pianos, os realejos. O universo pulsa, descubra o seu ritmo.

Soli Deo Gloria